A arquitetura como construir portas
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e teto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.
Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até refechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.
(João Cabral de Melo Neto)
terça-feira, 13 de setembro de 2011
As mil e uma noites
*Jorge da Cunha
Nada é mais fascinante do que a cidade, sobretudo nesta quadra da história humana, em que a vida é essencialmente urbana. A cidade, em Calvino, é o símbolo da memória, do desejo, do olhar, das trocas, do nome e da morte. Marco Polo não se restringe, como “Ulisses”, de James Joyce, a resumir toda existência no cenário de uma única cidade, onde se come, se trabalha, se ama e se morre, num período, sem pausas. Marco Polo percorre as cidades do reino, todas com nomes femininos, como se percorresse o corpo de uma única mulher.
Marco Polo não descreve esses significados da cidade, que vão da memória até a morte, como uma simples metafísica dos símbolos, mas pelo que elas significam na vida de cada cidade.
Quando cheguei a São Paulo, superada a escarpa íngreme, deparei com uma cidade sem memória, posto que se devora a cada década. Cidade que se devolve como um vômito novo. Não há em suas esquinas nenhuma presunção do passado, nem do presente, pois o futuro se impõe como a memória oblíqua. Do Mercado Municipal à Tiffanny os desejos se igualam, na mortadela e nas esmeraldas; das magricelas das lojas finas às volumosas vendedoras de muzzarela. Tudo se come, em São Paulo, nada se reparte. O que mais impressiona é o amor pelo automóvel, ora espelho que remete à ambição, ora laquê a encobrir a vaidade. A gula é individual. Mas o mais solitário dos homens passeia igualmente na Oscar Freire e no Center Norte. Mas essas individuais figuras, Kublai Khan, se misturam como insetos, incestos raciais a confundir os passaportes.
*Jorge da Cunha Lima é poeta, jornalista, escritor, presidente do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta e da Abepec, e vice-presidente do Itaú Cultural.
Este texto foi retirado da revista urbs - Urbanismo Sustentável - nº44 – ano 2007
As mulheres de Chariar pagavam com a morte, ao amanhecer, o casamento e a noite de amor. Cherazade, destinada ao mesmo fim, percebe que a narrativa poderia salvá-la, contando cada noite, ao sultão, uma história inebriante sobre as desventuras da vida. Fascinado, Chariar substituiu a rotatividade dos amores pelas volúpias das histórias de Cherazade, que não apenas salvaram sua vida como remeteram-na à eternidade.
No livro de Ítalo Calvino, o mais italiano dos escritores, embora nascido em Cuba, Marco Polo, o viajante insaciável, narra ao imperador Kubai Khan, as cidades de que seu império é constituído. Não narra as portentosas aventuras humanas, mas a cidade apenas, que é o símbolo do império e da própria vida. Difere Marco Polo dos embaixadores e mensageiros de Kubai Khan, que trazem as notícias convencionais do poder, pois revela, com um único símbolo, a cidade, com toda a grandeza de sua existência.Nada é mais fascinante do que a cidade, sobretudo nesta quadra da história humana, em que a vida é essencialmente urbana. A cidade, em Calvino, é o símbolo da memória, do desejo, do olhar, das trocas, do nome e da morte. Marco Polo não se restringe, como “Ulisses”, de James Joyce, a resumir toda existência no cenário de uma única cidade, onde se come, se trabalha, se ama e se morre, num período, sem pausas. Marco Polo percorre as cidades do reino, todas com nomes femininos, como se percorresse o corpo de uma única mulher.
Marco Polo não descreve esses significados da cidade, que vão da memória até a morte, como uma simples metafísica dos símbolos, mas pelo que elas significam na vida de cada cidade.
Quando cheguei a São Paulo, superada a escarpa íngreme, deparei com uma cidade sem memória, posto que se devora a cada década. Cidade que se devolve como um vômito novo. Não há em suas esquinas nenhuma presunção do passado, nem do presente, pois o futuro se impõe como a memória oblíqua. Do Mercado Municipal à Tiffanny os desejos se igualam, na mortadela e nas esmeraldas; das magricelas das lojas finas às volumosas vendedoras de muzzarela. Tudo se come, em São Paulo, nada se reparte. O que mais impressiona é o amor pelo automóvel, ora espelho que remete à ambição, ora laquê a encobrir a vaidade. A gula é individual. Mas o mais solitário dos homens passeia igualmente na Oscar Freire e no Center Norte. Mas essas individuais figuras, Kublai Khan, se misturam como insetos, incestos raciais a confundir os passaportes.
*Jorge da Cunha Lima é poeta, jornalista, escritor, presidente do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta e da Abepec, e vice-presidente do Itaú Cultural.
Este texto foi retirado da revista urbs - Urbanismo Sustentável - nº44 – ano 2007
Colagem no Adobe Photoshop!
Primeiramente, foi pedido que lêssemos alguns capítulos do livro Cidades Invisíveis do escritor italiano Ítalo Calvino e procurássemos imagens relacionadas às cidades do livro. Depois, deveríamos realizar uma colagem das imagens das cidades escolhidas, do nosso mapa mental e o mapa de São João del-Rei.

Os direitos autorais das imagens do site Compfight são:
1- Navio Negreiro - Tiago Gualberto Morais
2- Cidade proibida - André Deak
3- Prédios de São Paulo - Ricardo Motti
4- Mates burilados - Miguel A. Vera León
5- Jardim Botânico, Rio de Janeiro - Frederch della Faille
Os direitos autorais das imagens do site Compfight são:
1- Navio Negreiro - Tiago Gualberto Morais
2- Cidade proibida - André Deak
3- Prédios de São Paulo - Ricardo Motti
4- Mates burilados - Miguel A. Vera León
5- Jardim Botânico, Rio de Janeiro - Frederch della Faille
Escalas
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Vídeo da Performance
Propuseram que formassemos um grupo de 5 alunos para realizar uma performance artítica que é uma modalidade artística envolvendo diversas atividades interdisciplinares como o teatro, música, poesia e outros. O tema da performance foi o lugar mais desconfortável do campus CTAN e escolhemos a cantina.
A frase da nossa apresentação foi: "Confortando o desconfortável".
A frase da nossa apresentação foi: "Confortando o desconfortável".
Oficina I
Este blog tem por finalidade mostrar os trabalhos acadêmicos da disciplina Oficina I do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSJ e os professores são Rafael, Gedley e Nathanael.
Na primeira aula, aconteceu a apresentação do livro Ponto e linha sobre plano do artita russo e professor da Bauhaus Wassily Kandinsky. Com base neste livro foi realizado vários desenhos com ponto,linha e curva para representar cinco opostos: quente ≠frio, tenso ≠ calmo, concentração≠ dispersão, leve ≠ pesado e lento ≠ rápido.
1- Atividade
a) Desenhos de quente ≠frio
b) Desenhos de tenso ≠ calmo
c) Desenhos de concentração≠ dispersão
d) Desenhos de leve ≠ pesado
e) Desenhos de lento ≠ rápido
Na primeira aula, aconteceu a apresentação do livro Ponto e linha sobre plano do artita russo e professor da Bauhaus Wassily Kandinsky. Com base neste livro foi realizado vários desenhos com ponto,linha e curva para representar cinco opostos: quente ≠frio, tenso ≠ calmo, concentração≠ dispersão, leve ≠ pesado e lento ≠ rápido.
b) Desenhos de tenso ≠ calmo
c) Desenhos de concentração≠ dispersão
d) Desenhos de leve ≠ pesado
e) Desenhos de lento ≠ rápido
Perguntas de um operário letrado
Quem construiu Tebas de sete portas?
Nos livros estão os nomes dos reis.
Foram os reis que arrastaram os blocos de pedra?
E as várias vezes destruída Babilônia —
Quem é que tantas vezes a reconstruiu?
Em que casas da Lima fulgente de oiro moraram os construtores?
Para onde foram os pedreiros na noite em que ficou pronta
a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos de triunfo.
Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os césares?
Tinha a tão cantada Bizâncio
Só palácios para os seus habitantes?
Mesmo na lendária AtlântidaNa noite em que o mar a engoliu bramavam os
afogados pelos seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os Gálios.
Não teria consigo um cozinheiro ao menos?
Filipe da Espanha chorou, quando a armada se afundou.
Não chorou mais ninguém?
Frederico II venceu na Guerra dos Sete Anos —
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhou o banquete da vitória?
Cada dez anos um Grande Homem.
Quem pagou as despesas?
Tantos relatos.
Tantas perguntas.
(Bertold Brecht - tradução de Paulo Quintela)
Nos livros estão os nomes dos reis.
Foram os reis que arrastaram os blocos de pedra?
E as várias vezes destruída Babilônia —
Quem é que tantas vezes a reconstruiu?
Em que casas da Lima fulgente de oiro moraram os construtores?
Para onde foram os pedreiros na noite em que ficou pronta
a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos de triunfo.
Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os césares?
Tinha a tão cantada Bizâncio
Só palácios para os seus habitantes?
Mesmo na lendária AtlântidaNa noite em que o mar a engoliu bramavam os
afogados pelos seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os Gálios.
Não teria consigo um cozinheiro ao menos?
Filipe da Espanha chorou, quando a armada se afundou.
Não chorou mais ninguém?
Frederico II venceu na Guerra dos Sete Anos —
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhou o banquete da vitória?
Cada dez anos um Grande Homem.
Quem pagou as despesas?
Tantos relatos.
Tantas perguntas.
(Bertold Brecht - tradução de Paulo Quintela)
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